Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico da história do Brasil
Em 13 de setembro de 1987, dois homens recolheram um aparelho de radioterapia abandonado no centro de Goiânia. Ao romperem o lacre de uma cápsula, deram início ao maior acidente radioativo do mundo fora de usinas nucleares.
A substância, um pó azul brilhante, encantou o dono de um ferro-velho, Devair Ferreira, que a levou para casa e a distribuiu para parentes e amigos. O que parecia algo mágico era, na verdade, o metal altamente radioativo Césio-137.
O acidente só foi identificado 16 dias depois. Entre as vítimas fatais estavam a menina Leide das Neves, de 6 anos, e sua tia Maria Gabriela. Elas foram enterradas em caixões de chumbo pesando 700 quilos sob forte protesto popular.
Mais de 112 mil pessoas foram monitoradas; 249 apresentaram contaminação e 129 precisaram de acompanhamento médico rigoroso devido aos efeitos da radiação.
A descontaminação gerou 6 mil toneladas de rejeitos, hoje armazenados em Abadia de Goiás. O local deve guardar o material por cerca de 300 anos. Até hoje, mais de mil vítimas ainda recebem assistência do Estado.